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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Anemia Falciforme é debatida na Câmara Municipal

Por ser a cidade com maior número de negros, Salvador foi escolhida pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado parta debater políticas de concessão de benefícios para pessoas com doenças hereditárias associadas a fatores raciais, a exemplo da anemia falciforme. O próximo encontro deve acontecer em Brasília. O debate foi capitaneado pela senadora baiana Lídice da Mata (PSB). Em Salvador, segundo o Mapa da População Preta & Parda no Brasil,  743,7 pessoas se declararam negras.

O debate, ocorrido na tarde desta sexta-feira, no Centro de Cultura da Câmata, contou com a participação dos vereadores Fabíola Mansur e Silvio Humberto, ambos PSB, e Odiosvaldo Vigas (PDT).

A senadora Lídice da Mata (PSB), requerente do evento, enfatizou a importância em discutir o tema em Salvador, cidade com maior representatividade afrodescendente do Brasil, mas também destacou o objetivo de estender ações para outras cidades. “É preciso reforçar o empenho para que a assistência aos portadores da doença seja realmente integral, abrangendo todos os estados”. 

De acordo com a proposta do debate, a população negra é acometida por estas enfermidades por conta da questão socioeconômica em que estão submetidos, sendo esta parcela negligenciada pelo sistema de saúde. 

A vereadora Fabíola Mansur (PSB) afirmou que a enfermidade possui efeitos devastadores para as classes mais desamparadas.

O vereador Sílvio Humberto (PSB) afirmou que, apesar dos problemas, a população negra está acostumada a lidar com as adversidades e com o “enfrentamento diário contra o racismo”.

Já o vereador Odiosvaldo Vigas (PDT) defendeu o debate ocorrido na Câmara como “uma das vertentes para a inclusão social”.

DADOS ALARMANTES - De acordo com estudos do Ministério da Saúde, na Bahia a anemia falciforme acomete um em cada 650 nascimentos, justamente por ter um maior número de pessoas de origem afrodescendente. Em seguida vem os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Maranhão, Goiás, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde apontam para a existência de uma relação silenciosa entre os portadores da anemia falciforme. Evidências informam que pessoas estão vivendo sem o diagnostico e por conta disto, muitas morrem sem saber que possuem a doença.

A coordenadora Nacional para Doença Falciforme, Joice Aragão, defendeu as ações realizadas pelo Ministério da Saúde e afirma que um novo tempo para as anemias falciformes já é uma realidade no país.
Além de Joice Aragão, a mesa técnica contou com a presença de Mitermayer Galvão, pesquisador da Fiocruz-BA; Eduardo Luiz Mota, professor do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba; Helena Pimentel, médica geneticista; GildásioDaltron, coordenador do Departamento de Cirurgias da Ufba; e Altair dos Santos Lira, coordenador financeiro da Associação Baiana das Pessoas com Doenças Falciformes - ABADFAL.